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17-19 Outubro
Realização do VIII Congresso da SOPCOM.

A metáfora da aldeia global, a que Marshall McLuhan deu foros de cidade, incide sobre uma relação de proximidade cuja boa imagem é a de um encontro face a face. O cariz tecnológico inerente à expressão revela, contudo, que se trata de uma aldeia modificada. Não se trata já de uma relação pessoal em que a comunicação se pode desenvolver como uma conversa que decorre em toda a liberdade – sendo que não é de sucumbir aqui a qualquer idílio rural comunicativo. A tecnologia, ao invés, cria a sua própria espécie de iliteracia ampliada a uma escala inaudita pelos suportes técnicos em que se pode aceder à palavra. A aldeia global cria por si própria uma desigualdade técnica-económica de raiz à qual acresce a possibilidade de instrumentalização ideológica.

Hoje, entre os escombros de um 11 de Setembro, a fome na África subsaariana, a mudança cíclica das estações que depois da primavera nos conduziram ao outono árabe, a crise de uma Europa que perdida entre memórias não encontra força para reclamar o que a caracterizou, sabemos que a construção de mundo em que todos nos entenderíamos, em que os ideais sobre os quais se sedimentou a sociedade humana estariam cumpridos, em que o desentendimento era sempre e só um momento no caminho da compreensão, à “comunicação” nas suas diferentes vertentes, interpretações e construções é pedido tudo sem nada lhe ser reconhecido.
Este é o repto que propomos para este congresso. Quando as mudanças climáticas afectam de forma inexorável os mais pobres, continuamos a acreditar no poder dos media. Quando as democracias são ameaçadas, o estatuto de humanidade negado a tantos seres humanos simplesmente porque são mulheres, lutamos por essa comunicação que queremos global. Mas também, e em simultâneo, sabemos que mais do que a possibilidade de uma comunicação global o que encontramos é a globalização de alguns “poderes”, a imposição de algumas opções politicas ou económicas, a destruição tantas vezes global da dignidade humana.
O mal-entendido, a distorção por poderes fácticos, e até o não querer compreender continuarão a existir. Acreditamos, contudo, que como afirma George Steiner retomando Thomas Mann “enquanto permitirmos que a linguagem prevaleça, enquanto ’pudermos continuar a falar uns com os outros’, há esperança para a civilidade e a busca da verdade.” A tolerância é antes de mais vontade de comunicar, até com aqueles de quem mais discordamos. Sobretudo com eles.